Quando falamos de alimentação, geralmente reduzimos essa necessidade básica aos nossos hábitos à mesa. Por outro lado, ao dizermos “comer com os olhos, assimilar uma idéia ou digerir uma situação”, expressamos o entendimento de que, em um sentido amplo, somos comedores de mundo, nosso organismo é, essencialmente, um processo digestivo. Ou seja, além de pão “comemos” também toda uma gama de impressões que resultam das nossas experiências cotidianas, impressões essas que devemos igualmente digerir e assimilar por meio de um sutil processo que envolve desejabilidade e receptividade. A associação entre alimentos e emoções é inevitável: fome é necessidade, vontade de ter, afinidade.
A busca de satisfação afetiva por meio de gratificações substitutas na alimentação é, portanto, compreensível. Em diferentes graus todos temos nossas fixações orais, e nossas compulsivas preferências alimentares revelam sempre carências afetivas. O desejo por chocolate, caldos quentes, amido ou açúcar – o afeto sintético – nos estados depressivos é sintomático e, até certo ponto, uma forma de suavizar o processo.Mas como toda forma substituta de satisfação é sempre uma garantia de frustração, o uso freqüente do alimento como recompensa afetiva acaba por acrescentar ao descontentamento psicológico uma sobrecarga de substâncias incompatíveis com as reais necessidades nutricionais do organismo. Em função dos seus nutrientes e da forma como interagem quimicamente no organismo, certos alimentos e suas combinações podem ser de grande auxílio ou, por outro lado, totalmente indesejáveis nas perturbações tanto do corpo quanto da alma.
Desde os primórdios da civilização os alimentos são usados como os principais recursos na lida com a doença.Nossa intuição mais profunda sempre percebeu na alimentação uma importância maior do que simplesmente manter o corpo vivo e operante. Afinal, somos constantemente reconstruídos a partir daquilo que comemos. Fazer do alimento o remédio é uma máxima que remonta às origens da medicina.
Mas é do moderno campo de pesquisa de alimentos que nos chega a comprovação definitiva de que comer não é um acontecimento trivial a vastíssima comunidade celular que nos constitui. Instituições de pesquisas de grande prestígio, como Johns Hopkins e a Harvard, alardeiam conclusões acerca do enorme impacto que nossas refeições ocasionam no misterioso metabolismo das células, e da grande influência desses eventos cotidianos na condição da saúde ou doença do organismo. E, da mesma forma que interferem nas inúmeras funções do corpo, os princípios bioativos dos alimentos produzem, no cérebro, significativas alterações na transmissão das mensagens entre os neurônios, afetando os neurotransmissores e os estados de humor a eles associados.
A partir dessas verificações, as possibilidades de se compensar quadros de distúrbios físicos e psicológicos com uma alimentação apropriada vêm se mostrando mais e mais significativas. Hoje ficou mais viável e seguro elaborar um programa alimentar que funcione como fator de compensação para os desgastes resultantes das inadequações e excessos do dia-a-dia, para amenizar as inevitáveis influências intoxicantes da vida moderna ou para suavizar os efeitos colaterais de tratamentos médicos agressivos. O entendimento de como diferentes alimentos interferem de forma distinta nos organismos individuais e em suas condições de saúde tornou possível ao educador alimentar formular um cardápio de opções mais compatível com a constituição, a atividade, o estilo de vida e as eventuais patologias de cada pessoa.
Mas, propriedades específicas à parte, a contribuição mais acessível dos alimentos no equilíbrio emocional está em seu poder desintoxicante: limpar o corpo é também purificar a mente e o espírito. E dentre os alimentos mais depuradores, as hortaliças e as frutas – principalmente os seus sucos preparados na centrífuga – atuam no organismo como uma brisa de serena vitalidade. A água contida nesses vegetais dispõe de minerais perfeitamente estruturados em suas moléculas, o que a permite introduzir mais facilmente nas células do organismo as enzimas que depuram, nutrem e equilibram as funções do corpo e da mente.
Evidentemente, a utilização de um programa alimentar como suporte terapêutico deverá passar por uma avaliação personalizada das condições e carências específicas do indivíduo. Mas uma maior atenção na escolha dos alimentos a partir de critérios básicos sensatos já é um primeiro passo no sentido de buscar atender às reais necessidades do organismo, desmascarando suas formas de gratificação substituta e distinguindo a verdadeira fome da vontade de comer.
Como orientadora alimentar e precursora do sistema Antidieta no Brasil tem ampla participação em congressos e eventos no País e no Exterior voltados para a reeducação dos hábitos alimentares na aquisição de uma melhor qualidade de vida. Visite seu site www.fatimahborges.com.br.
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Comentários |
Comentário de Celso R. Santana em 24/04/2006 às 20:54hs. (horário de Miami)
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