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Visão Empresarial com Luciano Salamacha

Luciano Salamacha

09/10/2006 01:00

O que é liderar?

Por Luciano Salamacha


Liderar é saber enganar as pessoas?

Quando uma pessoa passa a exercer um cargo de chefia ou liderança, principalmente em início de carreira, é comum que surja uma dúvida em relação ao perfil do líder. Ele passa a se questionar se liderar não é, no fundo, enganar as pessoas? Afinal, se o líder consegue que a equipe faça exatamente aquilo que ele deseja, de certa forma pode estar manipulando a vontade de cada profissional.

O questionamento é: Será que isso não é uma influência direta nos desejos individuais de cada funcionário de acordo com a conveniência do líder. Nesse estágio, o profissional costuma passar por uma crise de identidade. Ele fica querendo saber se deve ou não continuar a estimular as pessoas para cumprir os objetivos da organização. A saída para esta questão é entender o que a empresa, e também os funcionários, esperam de um líder.

Do lado da empresa, o que se espera é que seja alguém com capacidade para reunir as diferentes opiniões das pessoas que integram a equipe em torno de um objetivo organizacional. E nunca é demais lembrar que o que se espera, tanto do líder quanto dos funcionários, é fidelidade aos objetivos organizacionais. Não se pode confundir liberdade de idéias com autorização para fazer no ambiente de trabalho o que se bem entender.

Já a equipe espera receber orientação do seu líder. Os funcionários confiam que o líder tem capacidade para oferecer respostas para cada um dos problemas que surgem no dia-a-dia. Resumindo: uma boa forma de acabar com essa crise de identidade que alguns têm é lembrar dos fatores que motivaram a sua contratação pela empresa. Afinal, ele é gestor para unir as pessoas em torno dos objetivos da empresa e não para fazer o bem quiser.

Liderar é ser sempre bonzinho com a equipe?

Tenho percebido que algumas pessoas preferem exercer um papel estereotipado, a conduta do líder ideal, do que propriamente seguir sua própria natureza de liderança. A questão é que um líder não precisa ser bonzinho para conquistar o respeito dos seus liderados. Para isso, basta lembrar qual era o comportamento e também o conceito de alguns professores na faculdade. Havia o professor que era amigo de todos, que terminava as aulas antes do horário e que, no fundo, apenas fingia ensinar alguma coisa.

Geralmente era querido pela maioria dos alunos porque costumava atender todos os pedidos de liberação das aulas em prol de uma confraternização qualquer. Já o segundo professor era tido como exigente demais. Uma pessoa um pouco inflexível e que desde o primeiro minuto de aula até o último instante não parava de ensinar a sua disciplina. E quando algum aluno tomava coragem e pedia que o professor dispensasse aquela aula para uma confraternização, vinha a resposta “eu sou pago para ensinar e você está aqui para aprender e não para fazer festas”.

Naquela época, os alunos não gostavam muito do segundo professor. Passado o tempo, é comum que o primeiro professor seja lembrado apenas pelas festas que incentivou enquanto que o segundo é lembrado não apenas pelo rigor, mas também pela capacidade que teve de fazer os alunos compreenderem aquele assunto. De forma prática,há aqueles gestores que tentam agradar a equipe, mas que no fundo, agem sem o menor rigor. São líderes que não se preocupam em manter a justiça no ambiente de trabalho e que, normalmente, tentam contemporizar (colocar panos quentes) todos os problemas que surgem.

Resumindo: entre ter um líder que é bonzinho com os funcionários e um líder que é responsável com suas obrigações, o mundo empresarial não costuma pensar duas vezes. Simplesmente se despede do bonzinho e fica com aquele que gera resultados.

Um líder de verdade é aquele que nunca desiste de um funcionário problemático?

Quando o assunto é liderança, o problema está em se mostrar apenas um lado da história. Um exemplo é o número incontável de histórias em que um determinado gestor investiu em um funcionário que apresentava vários problemas de comportamento e que com o tempo acabou se transformando em um dos melhores funcionários da empresa.

São casos em que o profissional somente foi salvo da demissão pela visão da chefia. Essas histórias fazem parte da vida real. Porém, de outro lado, são raros os casos apresentados em treinamentos e palestras sobre situações em que o gestor apostou no funcionário e acabou se dando mal. O líder havia arriscou tudo que havia amealhado em sua carreira acreditando que aquele funcionário poderia melhorar e se transformar de carvão em o mais belo dos diamantes.

O que acabou acontecendo é que o gestor se envolveu demais no processo, demorando muito para tomar uma decisão e, por conseqüência, acabou permitindo que a sua carreira de líder fosse comprometida. Portanto, a dica de hoje é para que os gestores prestem muita atenção na hora de investir em um funcionário. É verdade que algumas pessoas têm potencial para muito mais e necessitam apenas de um pouco de estímulo e um voto de confiança para mostrar toda a sua capacidade. Agora, também é verdade que alguns gestores não têm o menor senso crítico e acabam apostando em pessoas que sequer desejam receber ajuda.

São funcionários que não tem potencial, que não demonstram vontade de evoluir e que acabam se aproveitando do líder que deseja investir nas pessoas para se acomodar na empresa. Resumindo: o líder ideal é que aquele que investe somente em profissionais com potencial verdadeiro, que demonstram força de vontade e, principalmente, que se comprometem a apresentar resultados dentro do tempo disponível e não, no tempo que eles bem entenderem.

É verdade que todo líder deve estar sempre sorrindo para os funcionários?

Algumas pessoas tentam seguir com rigor todas as características que um líder ideal e, por conta disso, acabam transformando o papel do gestor na empresa em uma espécie de animador de auditório ou um verdadeiro palhaço. Por isso, é importante esclarecer que um líder deve sorrir, deve ser atencioso e respeitoso no relacionamento no tratamento com as pessoas. Mas, não pode implicar na mudança da sua natureza.

Se a pessoa é um pouco reservada ou introspectiva, não deve deixar de seguir a sua personalidade para tentar fingir o que não é. Muitas vezes, uma equipe não apenas compreende esse perfil do gestor como ainda admira sua forma carismática de se relacionar. O sorriso, muitas vezes, é substituído por olha compreensivo e sincero. Em vez de brincadeiras, palavras calmas e sensatas que transmitem para a equipe a confiança necessária.

Aliás, esse é o principal fator que separa em grupos distintos aqueles que são líderes daqueles que apenas são esforçados na chefia. Um líder consegue despertar um clima favorável para o cumprimento dos objetivos da empresa sem alterar a própria natureza. Já aquele que se esforça para ser líder e, no máximo, atinge o cargo de chefia, tenta forçar a situação deixando a sua personalidade e passa a agir como um personagem idealizado. É que a falsidade no comportamento e no agir é facilmente percebida pelos funcionários.

Consequentemente, a reação da equipe não será melhor que a ação falsa do gestor.

O líder ideal é aquele que trata todos de forma indistinta na empresa?

Engana-se quem acha que o líder ideal é aquele indivíduo que trata todos os funcionários da mesma maneira, de uma forma igual. Na verdade, o correto é exatamente o contrário. O líder ideal é aquele gestor que consegue tratar cada integrante da equipe de maneira personalizada. Ele entende e compreende o jeito de cada pessoa raciocinar e agir e, consequentemente, em vez de dar um tratamento frio e despersonalizado, procura-se em atender as peculiaridades de cada funcionário. Era o que fazia o José, que tinha na equipe pessoas dos mais diferentes estilos.

O José sabia como era importante para algumas pessoas o respeito e formalidade no tratamento. Ao mesmo tempo, ele também conseguia perceber que alguns integrantes da equipe eram movidos ao bom humor. Na verdade, para equipe o José era uma pessoa especial porque sabia exatamente como conseguir o que desejava de maneira sincera e verdadeira. O interessante que essa característica permitia que o José liderasse qualquer equipe, independente de conhecer ou não aquelas atividades. É que o José conhecia muito bem como é o ser humano.

É justamente por isso que um gestor deve saber respeitar as diferenças e, principalmente, harmonizar todos os integrantes em torno dos objetivos organizacionais. É por isso que ele foi contratado para ser o líder da equipe, para ser um maestro de talentos e não para tentar mostrar individualismo e competência individual. É que ele sabe que não se pode dar o mesmo tratamento para pessoas tão diferentes.

Resumindo: líder de verdade se preocupa em ser justo no ambiente de trabalho, reconhecendo os acertos e não deixando de agir com firmeza quando os erros acontecem.




Luciano Salamacha é consultor de empresas e professor em diversos programas de graduação e pós-graduação. No Paraná, integra o corpo docente do Instituto Superior de Administração e Economia da Fundação Getúlio Vargas (ISAE/FGV), ministrando aulas em Curitiba, Londrina e Ponta Grossa. Formado em Direito, com MBA em Gestão Empresarial, pós-graduação em Gestão Industrial e mestrado em Engenharia da Produção, tem artigos científicos reconhecidos internacionalmente. Receba esta coluna por email. Visite www.salamacha.com.br

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Comentários

Comentário de cristian machado em 23/05/2008 às 11:19hs. (horário de Miami)

sobre o texto de lider
achei muito interesante, vou ficar mais atento neste site para ir aprendendo cada vez mais.

Comentário de Heraldo em 13/12/2010 às 08:31hs. (horário de Miami)

O que é liderar
É interessante a forma abordada mas de certa forma o líder apesar de ter um conhecimento amplo deverá ouvir a opinião de seus comandados em determinados momentos? Ter uma equipe em suas mãos é sempre bom mas como descrito que nos relacionamos com pessoas diferentes, quanto tempo podemos perceber e de que forma estamos sendo bem vistos pelos nossos colaboradores que coordenamos?

Comentário de Capito em 01/03/2011 às 10:13hs. (horário de Miami)

LIDERANCA
O testo que acabei de ler, abriu me a visao, no tocante a forma de lidar com os colaboradores problematicos.

Comentário de augusto cesar em 27/11/2011 às 13:13hs. (horário de Miami)

verdaddeio lider
este artigo e bastante valioso para que deseja ser um bom lider.

Comentário de danielle em 10/12/2012 às 10:50hs. (horário de Miami)

liderança
eu era operadora de caixa fui promovida a pouco tempo para sub gerente não tenho experiencia , tenho muito o que aprender porque fiz amizades eainda não sei se devo mudar com os funcionarios ,se eles me aceitar ecomo devo agir


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