Artigos e notícias:

Visão Empresarial com Luciano Salamacha

Luciano Salamacha

09/07/2007 12:55

Pessoas radicais

Por Luciano Salamacha


Por que algumas pessoas são radicais em seus posicionamentos?


O problema de um profissional que é radical em suas posições, é que ele não só comete erros ao manter posições extremas, como dificilmente os assume. O radical tem um orgulho “extremo” sobre essa condição que ele chama de virtude, mas que os demais chamam de grande defeito. O absolutismo de suas afirmações não dá espaço para o diálogo.

Aliás, foi pelo diálogo que filósofos como Platão e Sócrates puderam desenvolver e ensinar seu conhecimento. Pelo método chamado dialética. Basicamente, a dialética é a realização de uma discussão livre e respeitosa de posições contrárias e que tem por objetivo chegar ao conhecimento verdadeiro. Platão sabia que um dos principais fundamentos da dialética é a capacidade de que cada participante do debate deve ter para abrir sua mente e aceitar novos conceitos.

Infelizmente, no meio empresarial há profissionais que se consideram muito mais sábios que os colegas. São pessoas que sequer se dignam a ouvir o que os outros têm a dizer. O radical se considera flexível e acredita que são os outros que não conseguem convencê-lo a mudar de opinião. Isso até poderia ser verdade se, ao menos, esse extremista permitisse que seus colegas apresentassem suas idéias. E se conviver com um colega radical já é difícil, tudo se torna ainda mais difícil se ele é um profissional que atua no atendimento aos clientes. É que os penalizados são, geralmente, os demais integrantes da equipe. Simples.

Os clientes conseguem perceber com grande facilidade quando não há ambiente propício à uma negociação sincera e aberta. Logo, passam a evitar o radical quando necessitam de um pouco de compreensão. Resultado: enquanto o gestor não tomar uma atitude firme e, com o perdão do trocadilho, “radical” em relação ao comportamento do funcionário que é extremista em suas posições, será difícil conseguir o que se espera de toda equipe que se preze: comprometimento e motivação.


Qual é o preço que se paga por ser um radical na empresa?

Um profissional que tem o hábito de ser radical nas suas posições também tem que pagar um alto preço na sua carreira. É que esse profissional acaba confundindo uma qualidade muito positiva de ser firme em algumas posições, com ser extremamente radical na defesa dessas posições. Um bom exemplo é o caso do Rodrigo, um grande vendedor em determinada indústria.

O Rodrigo apesar do desempenho profissional que sempre apresentava era extremamente radical quando o assunto era moral, comportamento familiar e junto à sociedade. Para ele era inadmissível que alguns colegas tivessem atitudes do tipo: falar palavrões, mentir ao cliente e muitas vezes até mentir para a própria empresa. O Rodrigo simplesmente não admitia isso e quando via alguém fazendo ele logo partia para uma discussão.

O radicalismo do Rodrigo somente gerava desgaste na empresa, por um motivo muito simples: não cabia a ele – Rodrigo – ficar discutindo esse tipo de comportamento, afinal eram colegas de trabalho e não seus funcionários; quem tinha a responsabilidade de fazer isso era sua chefia, mas que por um motivo ou por outro preferia não fazer nada.

A moral da história é que o Rodrigo não estava errado quanto seus conceitos; ele não estava errado em defender suas posições e seus valores, porém, ele estava errado de fazer com que esses valores tivessem que ser aceitos por outros colegas da equipe. Resumindo: um profissional deve ser radical na escolha de seus valores, entretanto, flexível na hora de defendê-los sob pena de um preço muito alto.


Qual é o lado positivo de um profissional extremamente radical em suas posições?


Não se pode discutir que há uma grande qualidade naquele profissional que costuma ser radical nas suas posições. É a garantia de que aquela pessoa não vai agir de forma diferente diante de uma situação qualquer. Só que essa qualidade muitas vezes é apagada pelo defeito de insistir que todo mundo da equipe tenha o mesmo comportamento que ele.

Acontece que alguns gestores têm esperança de que esse profissional um dia melhore sendo mais flexível ou pelo menos mais respeitoso em relação aos pensamentos e valores dos colegas. O termo esperança é o mais apropriado, porque esperança significa ato de quem espera por alguma coisa. Logo, o gestor ao invés de agir, de orientar, de auxiliar esse funcionário a melhorar seu desempenho, prefere ficar literalmente esperando que ele faça isso sozinho.

Ao agir assim, o gestor dá a esse funcionário radical uma mensagem subliminar falsa: é que o funcionário acha que o silêncio do gestor significa anuência, aprovação ou pelo menos respeito às posições que ele adota. É por isso que a recomendação de hoje é dividida em duas partes: quantos aos gestores, a dica é que passem a agir pró ativamente, orientando o funcionário e criando limites para essa defesa radical dos seus valores; já para o profissional, é dizer que a empresa enxerga nele muitas qualidades, aliás, são somente essas qualidades que impediram a empresa de tomar uma atitude radical quanto a sua permanência nela. Procure ser mais flexível ou pelo menos respeite a opinião dos outros.


Como trabalhar com um chefe que tem a característica de ser radical em suas posições?


Quando é a chefia que é radical em seus posicionamentos, um cuidado muito grande deve ser tomado por parte dos integrantes da equipe. É que quando se fala de defeitos ou de problemas com a chefia, vários fatores devem ser ponderados antes de se tomar qualquer atitude. A primeira delas e também a mais importante, é analisar qual é o fator de estabilidade que essa chefia tem.

Por exemplo, se o gestor é o próprio empresário ou o próprio dono da empresa deve-se ponderar até onde você vai conseguir mudar esse jeito que ele tem. Na verdade, em alguns casos o profissional apenas perde tempo e gera um desgaste desnecessário. Quando o gestor é um profissional contratado pela empresa, deve-se analisar também qual é o grau de relacionamento que ele tem com a hierarquia superior.

Em alguns casos, esse gestor tem um passado brilhante, a história profissional dele se confunde com a história de crescimento da empresa, e uma sensação de gratidão por parte da alta gestão, por parte dos donos da empresa, pode fazer com que ele tenha uma estabilidade quase que inquestionável. A terceira situação e talvez a única onde um profissional deva agir para mudar o lado radical da sua chefia, é quando a empresa é a profissionalizada e apenas esta chefia é que está destoando do jeito dos valores da empresa.

Nestes casos, apenas um cuidado deve ser necessário, jamais tome uma atitude sozinho, lembre-se: ou a equipe age unida, ou é melhor que continuem sofrendo as conseqüências de ter uma chefia radical.


É possível que profissionais que são radicais em seus posicionamentos acabem mudando seu jeito de pensar?


A palavra nunca costuma ser mais um castigo do que uma virtude para quem a usa. Isso é tão verdadeiro que até existe aquele ditado que afirma o seguinte: “nunca diga nunca”. Da mesma forma, não se pode apostar que uma pessoa está livre de alterar sua maneira de pensar e de agir. As mudanças que o futuro costuma provocar na vida das pessoas também geram profundas alterações na maneira pela qual a pessoa encara o dia-a-dia.

O problema é que essas mudanças só acontecem normalmente quando algo muito ruim, algo negativo acontece em suas vidas; pode ser uma doença, uma demissão, a completa falência da empresa que faz com que a pessoa repense seus conceitos e passe a dar importância a pequenos detalhes, passem a dar ouvidos para pessoas que até então eram consideradas insignificantes.

A mudança de um radical não costuma ser por opção não e esse é um recado direto que deve ser dado a todos os profissionais que costumam ser radicais em seu posicionamento. É preciso ponderar que a verdade para uma equipe, para uma empresa, ou mesmo para uma sociedade é aquilo que gera consenso.

É por isso que uma mesa tem esse nome, porque todas as pessoas aceitam que aquele objeto seja chamado de mesa, da mesma maneira no meio empresarial deve ser colocada a aprovação, a análise de seus colegas. Lembre-se meu amigo, muito mais importante do que ser o dono da verdade é ter amigos com quem você possa compartilhá-la.




Luciano Salamacha é consultor de empresas e professor em diversos programas de graduação e pós-graduação. No Paraná, integra o corpo docente do Instituto Superior de Administração e Economia da Fundação Getúlio Vargas (ISAE/FGV), ministrando aulas em Curitiba, Londrina e Ponta Grossa. Formado em Direito, com MBA em Gestão Empresarial, pós-graduação em Gestão Industrial e mestrado em Engenharia da Produção, tem artigos científicos reconhecidos internacionalmente. Receba esta coluna por email. Visite www.salamacha.com.br

O conteúdo veiculado nas colunas é de responsabilidade de seus autores.

Assinar feedEnviar por E-mailImprimirVoltar para a seção Visão Empresarial

Leia outros Artigos deste autor, clique aqui! Clique aqui e escreva seu comentário!




Busca rápida:

Assine nosso Boletim!





Anuncie no Planeta!!











Vídeo em destaque:








Planeta News!

O portal da comunidade brasileira no exterior!

Planeta News

   
© Copyright 1998-2014, Pepe Software Ltda. All rights reserved.
Anuncie | Agenda | Fale conosco | Aviso Legal | Política de Privacidade | Acrescente o Planetanews à sua lista de busca!

Livros no Submarino pelo menor preço | Muitos produtos em promoção no Wal-Mart

Parceiros do Planeta News: