Eu tinha doze anos quando o Michael Jackson arrebentou as paradas com Thriller e Billie Jean.
Eu não gostava dele.
(1) O cara vendia muito disco e se continuasse daquele jeito ele iria superar os Beatles. Como fã dos Beatles eu não podia deixar que isso acontecesse. Odiava o mundo por tentar comparar aquele cara com voz de menina com John, Paul, George e Ringo. Eu queria que aquela praga insuportável terminasse.
(2) Todas as meninas feias da escola gostavam de Michael Jackson. Cara, nenhum garoto naquela época tinha coragem de dizer que gostava de Michael Jackson. Quase nenhum. Dois amigos meus assumiram o assédio pelo astro e ficaram marcados para sempre por terem ensaiado os passinhos do Michael Jackson na festa junina da escola. Até hoje tiramos um sarro deles. Eles subiram lá em cima no palco da festa com cabelinho enrolado, luvinha prateada, calça preta e branca apertada acima da cintura com todos os marmanjos (incluindo eu) rolando de rir na primeira fila. Os dois viraram ídolos escolares instantâneos das meninas feias da escola.
E cresci não gostando do cara.
Para piorar, o cara foi se metendo em enrascada atrás de enrascada. Uma situação mais bizarra do que a outra. Exemplos, as inúmeras sei-la-quantas operações que fez para se transformar em outra pessoa, a bizarra cena de pendurar o filho pela janela, as acusações arquivadas de pedofilia - ele mesmo chegou a afirmar que dormiu com a molecada. E outras tantas maluquices que o transformaram no mais bizarro dos artistas pop só sendo superado por aquele maluco do Marilyn Manson. Esse é doido.
Mas, todos nós temos que admitir, ele revolucionou a maneira que o mundo dos brancos passaram a olhar para o mundo dos artistas de cor.
Antes dele, nenhum outro negro tinha atingido um recohecimento global como ele atingiu. No início dos anos 80 o preconceito em relação aos artistas negros ainda era muito forte em todo o mundo, principalmente nos EUA.
A música negra era uma música de gueto, de poucos, da comunidade negra e de poucos brancos que iam atrás do swing do blues e do jazz. Ainda assim, era um mercado para poucos.
Michael Jackson abriu o caminho para o Bill Crosby, para o Morgan Freeman, para o Denzel Washington, para a Oprah, para o Tiger Woods, para o Barack Obama!
Michael Jackson provou para o mundo dos brancos que os negros podem pensar, compor, dançar, criar, mexer com tecnologia, inventar, ganhar milhões de dólares, e ainda fazer isso várias vezes seguidas.
E por isso, somente por isso, sem falar na qualidade de algumas de suas músicas e iniciativas louváveis que teve em vida (We are the World), Michael Jackson merece o respeito de todas as pessoas que lutam pela Igualdade, Fraternidade e Liberdade para todos os povos do planeta.
Michael Jackson inovou na concepção das músicas, dos clipes, das turnês, palcos e dança. Além do Moonwalk, o seu passinho mais famoso, Michael Jackson inventou o "anti-gravity footwear", um sapato especial que permitia a ele e seu grupo de dançarinos desafiar o centro da gravidade dos seus corpos.
Agora, esteja onde estiver, eu espero que ele descanse em paz, e em espiríto volte a ser aquele garotinho do Jackson 5 que encantou o mundo.
Ricardo Jordão Magalhães é Revolucionário, Presidente e Fundador da BIZREVOLUTION (www.bizrevolution.com.br), onde ele ajuda as pessoas e as empresas a se transformarem em verdadeiras Empresas de Marketing focadas no foco dos seus clientes.
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