Domingo, 13 de março de 1901. O dia amanhece em Alto Alegre, e o sino da capela anuncia a missa das seis horas. Na igreja, estão reunidos frades, freiras, famílias de trabalhadores da Missão Capuchinha e meninas do internato, a maioria índias. No instante em que o padre que conduz a celebração ergue a hóstia, uma flecha lhe atravessa o corpo. Dezenas de índios, munidos de espingardas, flechas e facões, assaltam a igreja e o povoado, matando cerca de 200 pessoas. O incidente ficou conhecido como o maior massacre de brancos praticado por índios em toda a história do Brasil, muito embora, na represália que se seguiu, os brancos tenham exterminado aproximadamente 400 índios. Este documentário reflete sobre a violência física e simbólica contra o povo Tentehar/Guajajara, perpetrada pelo estado brasileiro. Este acreditava na ação civilizatória da Igreja Católica para integrar os chamados selvagens à vida nacional. Um massacre que tem sua origem na intolerância cultural e religiosa, no etnocentrismo e na suposta superioridade da cultura branco-cristã. Um massacre decorrente do desrespeito à diversidade cultural em um momento em que o estado brasileiro se consolida ancorado nas idéias de ordem e progresso.