LUIS MIR & CARLOS ALBERTO MOREIRA FILHO
Como revolução científica a Genômica não é um fenômeno isolado de outras revoluções científicas, embora todas pareçam, inicialmente, exclusivas e específicas. Todas se interligam, se correspondem e se complementam com as outras que as precederam nos mais variados campos: a de Galileu com a de Newton e esta com a de Einstein, a de Darwin com a de Pasteur, a de Pasteur com a de Sabin, a de Roentgen com a de Fleming, numa interminável jornada, e a de Mandel, que Watson e Crick transformariam numa nova fronteira do conhecimento humano. Novas pontes entre a medicina e a biologia molecular, avanços revolucionários na agronomia e nutrição – é a bioquímica dando saltos científicos notáveis. A revolução técnica-científica da biotecnologia penetra, modifica, avança em todos os campos: saúde humana, clonagem terapêutica, novos medicamentos, terapias gênicas, alimentação terapêutica, organismos geneticamente modificados de origem animal e vegetal entre outros. O Projeto Genômica, um esforço enciclopédico, como o classificou o Professor Francisco Salzano, reuniu dez escolas médicas e 12 institutos de pesquisa de todo o país numa plataforma multidisciplinar inédita. Consumiu cerca de dois anos de trabalhos e pesquisas de 113 autores. O resultado reúne a mais extensa, profunda e completa revisão de genética feita no país desde 1950. Foi reunido aqui o melhor da massa crítica de que dispomos com o melhor dos seus trabalhos e resultados. Esta revisão se pautou pela defesa intransigente da liberdade científica. Sem ela, não há pesquisa científica. Sem pesquisa científica, não há futuro. Sem futuro, não há humanidade. O compromisso ético e científico dos pesquisadores e cientistas é essencialmente humano e universal. E a exemplo dos que nos precederam, temos que honrar esse pacto: manter e assegurar a qualidade de vida de todos. Isso só é possível com a boa ciência que nos legaram e cuja herança temos que honrar.
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